Um interessante artigo de autoria de Alejandro Bortolus publicado na edição deste mês do periódico
AMBIO mostra as consequências trágicas de se utilizar má taxonomia em estudos científicos, especialmente naqueles que envolvam ecologia.
O artigo chama atenção para um possível "efeito em cascata" de erros científicos que se inicia quando espécies não são identificadas corretamente. Para embasar suas argumentações o autor utiliza uma série de exemplos que vão desde a utilização de conchas fósseis em estudos paleoambientais a um programa de reintrodução de gramíneas na costa oeste americana que reintroduziu a espécie errada.
Bortolus conclama que periódicos científicos e revisores exijam que trabalhos que de alguma forma tratem sobre "espécies" mencionem na seção "material e métodos" como as mesmas foram identificadas e, em alguns casos, que espécimes testemunho sejam depositados em coleções científicas de livre acesso.
Embora o autor foque sua atenção principalmente na ecologia, este problema possui dimensões bem maiores e merece ser amplamente divulgado não apenas entre ecólogos mas também entre biólogos conservacionistas, etólogos, geneticistas, etc, etc, etc. Sem esquecer também dos órgãos financiadores de pesquisa científica.
O silogismo é bem simples:
Sem taxonomia não temos espécies.
Sem espécies não temos ecologia, conservação, etologia, etc, etc, etc.
Logo, sem taxonomia não temos ecologia, conservação, etologia, etc, etc, etc.
Referência
Bortolus, A. (2008) Error Cascades in the Biological Sciences: The Unwanted Consequences of Using Bad Taxonomy in Ecology. AMBIO 37 (2).
O artigo pode ser baixado via
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