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terça-feira, 6 de maio de 2008

O que a necessidade não faz?

Da seção de Ciência e Saúde da BBC Brasil:

Pós-escrito: Cabe aqui uma correção a reportagem abaixo, de acordo com o amigo Salvatore Siciliano, a matéria "erra ao dizer que se trata de uma foca, na verdade é um lobo-marinho-subantartico" .


Cientistas flagram 'assédio sexual' de foca a pingüim
Foca assedia pingüim em foto publicada no 'Journal of Ethology'
Assédio sexual é comum entre espécies, mas caso registrado seria 'único'

Matt Walker

Cientistas sul-africanos filmaram uma foca tentando manter relações sexuais com um pingüim, em um caso pouco comum de tentativa de acasalamento entre duas espécies distintas.

O incidente, que durou 45 minutos, ocorreu em uma praia na ilha de Marion, na África do Sul, e foi descrito como um "assédio sexual" na revista especializada Journal of Ethology.

"À primeira vista, pensamos que a foca (macho) queria matar o pingüim", disse o professor Nico de Bruyn, do Instituto de Pesquisas de Mamíferos da Universidade de Pretória.

"Com certeza estávamos diante de um caso único, que até onde sabemos nunca havia sido registrado em lugar nenhum do mundo."

O professor disse que não está claro por que a foca de 100 kg, um macho da Arctocephalus gazella, tentou cruzar com o pingüim de apenas 15 kg, um Aptenodytes patagonicus de sexo não-identificado.

Os cientistas especulam que se deva à inexperiência ou à frustração sexual da jovem foca.

Outras hipóteses seriam de que se tratasse de um ato agressivo ou simplesmente um jogo que se tornou sexual.

As testemunhas disseram que a vítima movia suas asas na tentativa desesperada de se liberar.

Sem sucesso, a foca desistiu após 45 minutos. Os cientistas acreditam que o pingüim saiu ileso do episódio.


A coerção sexual entre os animais é freqüente - machos de diversas espécies costumam pressionar ou mesmo forçar a cópula com fêmeas de sua espécie e, em certas ocasiões, com idivíduos de espécie semelhante.

Foca assedia pingüim em foto publicada no 'Journal of Ethology'

Entretanto, este seria o primeiro caso de um mamífero tentando copular com outra classe de vertebrado, como uma ave, um peixe, um réptil ou um anfíbio, dizem os cientistas.

sexta-feira, 2 de maio de 2008

Cães Farejadores no Rastro de Mamíferos Ameaçados

A reportagem abaixo foi veiculada no Globo Rural da semana passada e mostra um interessante estudo que utiliza cães farejadores para encontrar vestígios de mamíferos ameaçados no Parque Nacional das Emas.

quarta-feira, 26 de março de 2008

A ida e a volta dos Marsupiais

Embora a maioria das pessoas pensem logo na Austrália quando ouvem a palavra marsupial, a origem evolutiva deste interessante grupo de mamíferos deu-se na América do Sul. Esta hipótese é suportada por várias evidências, incluindo a atual ocorrência de várias espécies de marsupias, como os gambás (Didelphis spp), no continente americano. A teoria vigente sugere que o ancestral dos Australidelphia, grupo que inclui todos os marsupiais australianos, teria partido da América do Sul e chegado a Austrália, via Antártica, por volta de 60 milhões de anos atrás; é bom lembrar que naquela época América do Sul, Antártica e Austrália estavam juntas e formavam o supercontinente Gondwana. A única coisa que não se encaixava perfeitamente nesta teoria era a simpática criaturinha da foto acima, um pequeno marsupial, Dromiciops gliroides, habitante das montanhas do sul do Chile e regiões adjacentes da Argentina, sendo localmente conhecido como "monito del monte". O problema com o "monito del monte" era que, embora a espécie ocorra atualmente na América do Sul, ela é muito mais aparentada aos marsupiais autralianos que aos seus conterrâneos americanos. Um recente artigo publicado na PLoS ONE propõe um fim ao mistério. Segundo uma equipe de cientistas australianos, os ancestrais do "monito del monte" fizeram o caminho inverso do primeiros marsupiais que colonizaram a Austrália a partir da América do Sul. Esta hipótese é baseada principalmente no recente encontro na Austrália do mais antigo fóssil de marsupial já escavado naquele continente e que surpreendente demonstrou ser de uma espécie, Djarthia murgonensis, bastante próxima a Dromiciops gliroides. As conclusões desse achado são que o "monito del monte" pode ser considerado um fóssil vivo e reforçam a hipótese que após terem chegado a Austrália alguns marsupiais retirantes parecem não terem gostado muito do local e decidiram botar as trouxas nas costas e voltar para casa. (foto: Romina Vidal Russel)

Referência:
Beck RMD, Godthelp H, Weisbecker V, Archer M, Hand SJ (2008) Australia’s Oldest Marsupial Fossils and their Biogeographical Implications. PLoS ONE 3(3)